quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Uma sentença no Amazonas sobre a união homoafetiva inspirou o post da psicóloga carioca Mônica El Bayeh nesta nossa segunda Visita de Domingo.
Como se dá a escolha do objeto amoroso? Essa é uma das discussões que sempre ocuparam o homem, na vã ilusão de controlar o amor, imaginando que, de posse dessa compreensão, não mais seria subjugado por ele. Inútil. Compreender nem sempre é controlar. Não é assim que funciona.
De verdade, essa questão até pode ser bem interessante. Mas não é tão fundamental assim. Muita filosofia é gasta na tentativa de compreender e de estabelecer regras.  Filosofar é ótimo. Mas nada disso regra o amor.
Cuide bem do seu amor, seja quem for… Agora pode. Esse é o recado que a justiça do Amazonas passou esta semana. Com coragem e inovação, numa sentença ainda pouco comum por aí, garantiu direitos e deveres relativos à união dos casais homoafetivos.
Amor é bicho esquisito, desobediente, incapaz de ser adestrado. Amor escolhe o que bem entende. Não segue padrão. Estabelece seus próprios critérios. Muitas vezes ininteligíveis a olho nu.  Trança sua escolhas enviesadas. Nem sempre exatamente o que se imaginava, nem a combinação ideal ou o que produziria melhor efeito. Amor se lixa para tudo isso. Nem o mais perto, nem o mais prático, como se se divertisse com nossa aflição num jogo de tabuleiro. Arrumou um amor em país distante, volte duas casas e fique sem jogar até juntar dinheiro para a passagem.
Assim, muitas vezes tripudiando dos simples mortais, o amor segue seu rumo. Unindo alto com baixo, gordo com magro, feio com bonito. E, como curso de rio, nada lhe interrompe. Nem leis, nem ordens. Planejamento, ele não sabe bem o que é. Segue em frente o amor, sem obstáculos, porque amor é vida e tudo contorna. E enlaça cores diferentes e sexos iguais. Religiões diversas e crenças opostas. Facções rivais , lados opostos, adversários de todo tipo. Ele não quer saber. Porque ele é o amor e tudo pode.  Mesmo que digam o contrário. Ama o que não podia. Ama de qualquer jeito. Ama à revelia.
Amor é terreno que ninguém pisa. Ninguém manda, nem direciona. Pode até não seguir, abrir mão, optar por ficar na zona de conforto e seguir paralelo sem nunca provar. Ruminando a o que poderia ter sido.
Amar ramifica e vai além. Amamos muitos filhos, amigos, primos, tios, avós, alunos, professores, clientes. Sim, podemos amar. Isso é permitido. E vários amores? Quem escreveu que amor, justo ele, não pode se ramificar por amores? Se escreveu, foi em vão. Amor escreve, não lê. Mais uma vez, como água de enchente, ele invade de um golpe só. Domina, se apropria.  Muitas vezes, deixando rastro de destruição.
Porque é difícil para o primeiro escolhido perceber que não é mais exclusivo. Não é mais amado? Muitas vezes sim. Ainda é amado , ou melhor , ainda é amado também. Também? Não era para ser único? Amor não liga para o que era para ser.  Bifurca, determina e segue. A dor tanta não permite que se veja além. E nem vou me estender por seara tão delicada dessa vez. Queria só deixar a questão em aberto. Porque amor não obedece, não tem limites. Se ele chega, muitas vezes se instaura um certo caos, antes da nova ordem. Não é nada fácil. Mas.. faz parte.
Amor é água. Nada embarreira. Ele segue seu rumo. Passa pelas brechas.  Desvia, avança, segue seu desejo.
Em desejo de amor ninguém manda.
Já que o amor não tem lei, é linda essa atitude da lei se repensar, rever valores e julgar com mais amor.  Parabéns, juíz Dídimo Barros Santana pela brilhante e sábia sentença.
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